quarta-feira, 1 de junho de 2016

Éramos todos humanos

Foi assim com muitos povos e em todos os tempos e pelo que parece continuará assim, o ser humano ainda não entendeu a que veio. Ou se entendeu nossa missão não é nada nobre.




Desde que o homem começou escrever sua história com desenhos em pedras nas cavernas, que o efeito migratório é registrado, no começo éramos humanos nômades, as migrações ocorriam por motivos naturais, íamos atrás de comida, segurança e o mínimo de conforto.

As guerras, as diferenças de pensamento e ideologias causam as eternas migrações que até hoje presenciamos.

Os europeus chegaram a América e disseram que foi uma "descoberta" mas não passou de uma invasão e dominação do povo que já vivia por lá. Eles acabaram com os Incas, os Maias, os Apaches e todas as raças nativas do continente. 

Tudo isso motivado pelo movimento migratório, afinal era preciso livrar a Europa de bandidos, inimigos políticos e desafetos, além claro, enriquecer as custas do sangue alheio.

Com os europeus vieram os escravos, uma migração forçada, como a maioria das migrações de hoje. Foram assaltados dentro de suas casas e levados para trabalhar até a morte para os brancos europeus que se auto-intitularam "donos da terra".

Outros povos também vieram, fugindo da guerra e da fome na Europa, italianos, alemães e portugueses chegaram para colonizar o sul do Brasil, saíram de um lugar sem esperanças na esperança de encontrar um novo lar, um novo começo.

Também ainda é assim com o nordestino que procura o sul, foge da fome, da seca, da miséria, na esperança de encontrar um paraíso para si e sua família.

Hoje o grande movimento migratório que nos chama a atenção é o do povo sírio, que é expulso de sua casa por uma guerra estúpida e não consegue entrar na Europa em busca de refúgio. A mesma Europa que quando precisou, não pestanejou nenhum um segundo para acabar com raças e povos para atender as suas necessidades de migração.

A atitude dos Europeus e também dos Estados Unidos é de extremo egoísmo, as pessoas morrem, crianças morrem, um povo está sendo exterminado por pura maldade e quem pode realmente fazer alguma coisa finge não ver, lava as mãos, ignora e ainda busca lucrar com a tragédia alheia.

Se você subir ao espaço e observar nosso planeta lá de cima, as únicas barreiras que verá serão os oceanos, os países e continentes formam uma única terra, sem divisões, espaço aberto para nós, os ainda humanos, nos movimentar da maneira que melhor convier.


sábado, 28 de maio de 2016

Poli-monoteísmo, o mal do mundo

"Que faz mais mal a humanidade, a religião ou os bancos?" Antônio Abujamra, hoje do outro lado da vida, fazia esta pergunta a alguns de seus entrevistados no seu "Provocações". É uma resposta difícil, mas acho que pelo menos nos bancos nós podemos tirar nosso dinheiro de lá com mais facilidade...
 


Os primeiros sopros de civilização surgiram no mundo, há milênios, foi quando o ser humano começou a sentir em si a presença do sagrado. Algo estava fora mas onipresente, era misterioso e inexplicável.

Surgia então, junto com a razão, a idéia de “DEUS” no mundo e cada povo tinha este sentimento comum, mas distinto.

Aparecem as primeiras religiões, que eram apenas um culto da família aos seus mortos. O “morto” era quem definia a religião da família. O morto era o deus a ser cultuado no círculo familiar.

Cada família tinha os seus “mortos” para cuidar, venerar, alimentar e lembrar. As famílias respeitavam-se mutuamente, pois cada qual sabia da importância do seu culto e o culto do outro.

Um homem esforçava-se em deixar um descendente vivo pois, depois de morto, ele precisaria receber o culto e o banquete fúnebre que o manteria vivo no outro mundo. Um homem sem descendentes estava fadado à morte depois de morrer.

O culto a um “morto em comum” definia o grau de parentesco entre as pessoas, não tinha nada a ver com genética ou herança de sangue.

E cada família tinha a sua religião, cada um respeitava o culto e os mortos do outro. O mundo vivia em paz neste ponto. Para entender melhor esta história, leia “A cidade antiga” de Fustel de Coulanges.

A humanidade caminhava tão bem, apesar das guerras por território e poder. A religião de cada um era respeitada por todos.

Eis que um dia surge a ideia do “Deus único”, o monoteísmo. No começo a ideia era boa, fazia sentido e visava a união pacífica da humanidade.

Mas os humanos nunca foram unânimes e em pouco tempo surgiram outros deuses-únicos, então cada grupo queria revindicar a unicidade do seu deus.

Foi esta fase da história que Nietzche abomina com veemência em seu livro “O anticristo”. Para ele foi neste momento que a humanidade jogou no lixo milênios de história, de aprendizado e de evolução e entrou em uma época de trevas e retrocesso.

"O único Deus que existe é aquele que eu creio, se você crê em outro, o errado é você". Com este pensamento surgiram os fundamentalistas.

Como toda unanimidade é burra, não custou a aparecer profetas por todos os cantos do mundo dizendo ser o seu povo o escolhido por Deus para herdar a terra, o paraíso, etc. e o outro, que crê em outro deus é amaldiçoado, é inimigo e deve ser exterminado.

Foi então que judeus, muçulmanos e cristãos se auto declararam inimigos e se acham no direito de matar por acreditarem em Deus.

As cruzadas, o holocausto judeu na segunda guerra, as infinitas guerras entre judeus, cristãos e muçulmanos é o resultado disso tudo. Nietzsche tinha razão!

Não vamos longe, aqui entre nós, considerados cristãos há muita discórdia, os dogmas mais separam do que unem, igrejas neo-pentecostais pregam a luta contra o inimigo, que por enquanto recebe o nome de “Diabo” mas pode muito bem mudar de nome e de cor, conforme interesses escusos de quem usa Deus para benefício próprio.

Quando vamos entender que o verdadeiro inimigo é o ódio, o orgulho, o egoísmo e a maldade que carregamos em nós e que nos leva a desejar a destruição do outro, que pensa diferente.

quinta-feira, 26 de maio de 2016

Instruções para cantar

Cantar é algo natural do ser humano, cantamos para copiar a liberdade dos pássaros, pois a natureza não nos deu asas e penas. Mas se é algo assim, tão natural, por que parece ser tão difícil?

“Comece por quebrar os espelhos de sua casa, deixe cair os braços, olhe vagamente para a parede, esqueça. Cante uma nota só, escute por dentro. Se ouvir (mas isto acontecerá muito depois) algo como uma paisagem afundada no medo, com fogueiras entre as pedras, com silhuetas seminuas de cócoras, acho que estará bem encaminhado, e do mesmo modo se ouvir um rio por onde descem barcos pintados de amarelo e preto, se ouvir um gosto de pão, um tato de dedos, uma sombra de cavalo. Depois compre cadernos de solfejo e uma casaca e por favor não cante pelo nariz e deixe Schumann em paz.” Julio Cortázar - Histórias de cronópios e de famas, pág. 4.
Se você chegou até aqui é que provavelmente, assim como eu, tem alguma dificuldade para cantar, já tentou fazer aulas de canto, canta no chuveiro, mas existe algo que ainda trava o “Pavarotti” ou a “Monserrat Caballé” que vive em seus sonhos.

A voz é o instrumento musical natural de nosso corpo e uma voz afinada é aquela que emite as notas musicais na mesma frequência que as demais vozes ou instrumentos que acompanham a execução de uma música, formando assim um conjunto melódico agradável ao ouvinte.

Os chamados “desafinados” não conseguem projetar a própria voz de forma que ela se encaixe no padrão harmônico da melodia que está em execução e isso causa um desconforto tanto para os músicos que acompanham a peça quanto para a platéia que escuta a música.

O mundo da música está lotado de técnicos e burocratas das partituras, que prezam mais a técnica do que pela inspiração, talento, esforço e dedicação. Basta ter um pouco de noção musical para saber que o conhecimento da técnica e teoria é fundamental e os grandes músicos a estudam de forma intensa, diariamente, muitas horas por dia.

Grandes músicos, aqueles que parecem que brincam com seus instrumentos enquanto tocam músicas de extrema complexidade, estes estudam teoria e técnica de uma forma tão intensa que aquilo já faz parte de sua alma.

A técnica musical é algo que não tem fim, se você pretende um dia ser profissional da música ou apenas cantar para os amigos na roda de violão, você irá precisar das teorias musicais, em mais ou menos intensidade, ela é fundamental, pode-se dizer, imprescindível.

Durante muito tempo estudei teoria musical, por minha própria conta e também em alguns cursos teóricos e práticos que fiz de voz, violão e piano, aprendi ler partituras em clave de sol e fá, entendi intervalos, ritmos, compassos, descobri o que significa cada um daqueles pontinhos e risquinhos que há em uma partitura musical.

Mas isso tudo não me fez o músico e cantor que um dia eu sonhei ser, muito pelo contrário, já fui reprovado pelos burocratas da música que buscam primeiro a métrica da técnica em desfavor da dedicação e o amor à arte. Então, o que houve? O que faltou? “Se eu não perdi nenhum detalhe, onde foi que e eu errei?”


Meu problema, e talvez o seu também, está no começo de tudo, fomos criados em uma cultura onde ser músico é ser um “inútil”, cantar ou tocar um instrumento musical é vadiagem, não é algo que lhe trará segurança financeira na sua vida adulta. As crianças são desestimuladas a cantar. A arte é vista como uma atividade para “os fracos” e você deve ser forte, deve ser um homem viril ou uma mulher “de respeito”. Cantar, tocar um instrumento, desenhar, pintar, interpretar, fará de você um “maricas” ou então uma mulher “mal-falada”.

Foi neste ambiente que crescemos e formamos nossas primeiras opiniões, a nossa infância teve este perfil e os adultos nos mostravam isso a todo momento, não necessariamente por palavras, mas por atitudes e gestos preconceituosos. Aqueles que despertam o interesse pela arte, e isso geralmente acontece no difícil período da saída da infância e entrada da adolescência, estes devem seguir seus sonhos artísticos por conta e risco, não existem incentivos neste sentido, muito pelo contrário, todos os incentivos são contrários. E assim nos transformamos em seres não-musicais, com medo da arte, com medo de encarar uma platéia, um microfone torna-se uma arma mais letal, temida e perigosa do que um revólver carregado, engatilhado e apontado para seu rosto.

Acabamos criados como burocratas da vida e achamos que a solução de tudo está na burocracia. Levamos nossos sonhos para as aulas de solfejo, para professores também burocratas que acham que basta ensinar técnica e colocar o aluno horas e horas na frente da partitura até que a técnica esteja toda decorada, transformando um músico em um computador que recebe um comando executa uma música.

Cantar é algo natural no ser humano, assim como o falar e o caminhar. Imagine ensinar uma criança a falar mostrando primeiro as regras gramaticais ou então a caminhar falando em estrutura do esqueleto, músculos e anatomia do corpo. Para aprender a falar a criança copia o adulto que está no seu entorno, balbucia sons a principio sem sentidos e aos poucos consegue ir expressando, com os sons que saem de sua boca, com os gestos corporais, aquilo que desejam. Os pais entendem estes gestos e sons dos filhos e o estimulam a aperfeiçoar a forma de comunicação e quando menos se espera a criança está falando fluentemente e a medida que evolui irá aprender as regras gramaticais do idioma. Isso é a forma natural de aprender, todos nós passamos por estas etapas e a todo momento vemos as crianças nestes diferentes estágios de aprendizado.

Agora, por que com a música tem que ser diferente? Por que não recebemos estímulos de forma natural desde pequenos? Por que devemos começar na música com a parte burocrática e chata?
Depois de muito penar e muitas vezes ser humilhado pela burocracia do ensino musical, depois de receber muito desestímulo, encontrei o texto que citei na abertura deste artigo, de autoria de Julio Cortázar e entendi que sempre tomei o caminho errado.

Resolvi então pegar o caminho correto para aprender a cantar, me livrei da burocracia, das regras rígidas e passei a prestar mais atenção no que realmente interessa, no som, na voz, nos detalhes que passam batidos da técnica, na beleza da arte. Só encontrei um pequeno problema para colocar em prática as instruções de Cortázar: Não fui autorizado a quebrar os espelhos aqui de casa ainda …

quarta-feira, 25 de maio de 2016

Minha religião é a poesia

Neste mundo, onde todos explicam tudo, onde qualquer conceito lógico e racional está na palma da sua mão e a dois cliques de distância, a poesia continua sendo o que sempre foi, um sentimento, uma beleza abstrata que depende de sua alma e não do seu conhecimento para ser absorvida sem nunca precisar ser entendida.

 

Nasci em família tradicionalmente católica, fui batizado alguns dias depois de nascido com direito a manto branco, vela e padrinhos. Segundo testemunhas da época eu aprontei uma choradeira danada na hora da água na cabeça. Já era um aviso que não era bem isso que eu estava querendo para mim.

Ainda menino mas sem poder mandar muito no meu destino fiz a tal da primeira comunhão, a força, mandado por meus avós, contra minha vontade. Nunca gostei de ir à missa, aqueles rituais, doutrinas e dogmas não soavam como algo verdadeiro.

Na adolescência quando já tinha um pouco mais de domínio sobre minha vontade, resolvi ser “ateu”, em nada acreditar e para ajudar deixei o cabelo crescer, aprendi tocar guitarra e meu quarto era repleto de posters de bandas de heavy metal, com direito a posters diabólicos e imagens infernais. Afinal, qual adolescente que não quer ser “do contra”?

Por influência da minha mãe conheci algumas denominações da umbanda e um livro de Chico Xavier que falava da lei de ação e reação, foi onde comecei a conhecer a doutrina espírita. Aquelas colocações faziam sentido, ali havia algo lógico, racional e verdadeiro. Por muitos anos estudei, atuei, trabalhei, fui palestrante e membro ativo da doutrina codificada por Kardec, que em sua essência, trata de um compêndio sobre ciência, filosofia e moral.

Mas as pessoas conseguiram transformar a doutrina em religião e aos poucos me afastei, pois religião para mim é sinônimo de medo, culpa e ganância. Prometo explicar esta colocação em outro texto para não tirar o foco do assunto.

Em determinado momento eu estava estudando o idioma espanhol e como exercício da língua peguei poemas de Pablo Neruda, poeta Chileno muito conhecido no Rio Grande do Sul, minha terra natal. Lá no RS Neruda é quase um poeta nativo.

A leitura e a tradução dos poemas de Neruda me despertou para uma nova visão da vida e dos fatos. O Poeta utiliza de forma magnífica os elementos da natureza em seus versos. Fala da mulher amada como um ser sagrado, embora, muitas vezes utilize a figura feminina como uma metáfora para falar de política, de sua pátria e da forma como foi excluído do seu lar, do seu Chile amado.

Foram centenas de poemas de Neruda que li, degustei e traduzi, no começo como exercício do idioma, depois por prazer e vontade mesmo. Eis então o momento que o mosquito da poesia picou minh´alma!

Poesia não é necessariamente um texto escrito em forma de versos e rimas, isso é um “poema”. A Poesia é a beleza abstrata que uma obra de arte nos transmite, seja um verso, uma prosa, uma melodia, uma escultura, uma pintura, uma peça de teatro, filme, não importa a forma de expressão, sempre haverá uma beleza implícita na arte.

Poesia não foi feita para ser medida, mas para ser sentida, ela não tem dogmas, não tem regras rígidas nem rituais que devam ser seguidos. Manuel da Barros disse isso de forma muito simples:

“A ciência pode classificar e nomear os órgãos de um sabiá, mas não pode medir seus encantos”

Justamente por ser abstrata, o que eu vejo pode ser diferente daquilo que você vê na mesma obra de arte. E ai já está a primeira coisa que a minha religião, a poesia, ensina: “O ponto de vista do outro não é errado só porque é diferente do seu”.

Outros poetas foram surgindo e me mostrando de forma simples e clara coisas que a humanidade sempre complicou, como por exemplo, a definição de alma. Mário Quintana genialmente explica que “Alma é esta coisa que nos pergunta se a alma existe”. Viram? Simples assim, sem devaneios, teorias, teoremas, doutrinas, dogmas, etc.

Quintana ainda nos diz o que é a vida, outro tema que sempre causou alvoroço entre diferentes denominações religiosas e filosóficas:

“A vida é uma estranha hospedaria  
De onde partimos quase sempre às tontas 
Pois nossas malas nunca estão prontas 
E nossa conta nunca está em dia”

O Lusitano Fernando Pessoa há mais ou menos um século atrás já dizia que a vida não era algo exato, ao compará-la com a navegação: “Navegar é preciso, viver não é preciso”.

Até mesmo a morte nos é colocada em forma de beleza pela poesia: (Mário Quintana - Inscrição para um portão de cemitério)

Na mesma pedra se encontram
Conforme o povo traduz
Quando se nasce - uma estrela
Quando se morre - uma cruz
Mas quantos que aqui repousam
Hão de emendar-nos assim:
Ponham-me a cruz no princípio
E a luz da estrela no fim!
Por estes e por tantos outros motivos que a poesia trouxe a minha vida é que abro mão de me definir como um cristão, ateu, muçulmano, umbandista, espírita, budista ou seja qualquer outro “ista” que exista.

As religiões convencionais pregam uma tal “salvação” que o seguidor deve almejar. Para que você seja salvo é pressuposto que você esteja pelo menos perdido ou em grave perigo ou ameaça.

A poesia me ensinou que nunca estive perdido, nunca estive em perigo ou sob qualquer tipo de ameaça à minha alma. Isto basta para quebrar os dogmas e me permite ver o mundo com olhos diferentes, sem medos, sem culpas, apenas com a beleza que existe em cada simples coisa desta vida.

terça-feira, 24 de maio de 2016

ELE É UM INSTRUMENTO CARINHOSO!

No final de um show, ao sair do palco com meu contrabaixo na mão, no meio de tanta gente alegre, alguém me cumprimenta, trocamos algumas palavras, eu agradeço a presença e ouço algo pela primeira vez na vida: "O contrabaixo é um instrumento carinhoso"



Quando paramos por alguns instantes para ouvir música e nos concentramos no som, sem distrações, sem ter que fazer outra coisa senão ouvir, então algo mágico acontece conosco, algo que começa nos ouvidos.
É um som grave, que geralmente acompanha o ritmo da música, se a música possui bateria ou percussão ele se confunde com o bumbo ou algum outro elemento mais grave do conjunto de percussão.
Se a música é tocada ao vivo ele está lá no fundo, quase imperceptível, mas preenche o palco e chega na platéia como se fosse um perfume muito discreto que sopra de uma plantação de capim-gordura.
Este é o tão menosprezado contrabaixo, muitas vezes esquecido, mas que é o principal responsável por ligar a harmonia com a melodia de uma música. Ele fica na base do som, embora possua cordas, é um instrumento de percussão e faz parte da "cozinha" da banda, como é carinhosamente chamada a parte rítmica de um grupo musical.
Os contrabaixistas costumam afirmar que seu instrumento não foi feito para ser ouvido, mas para ser "sentido" e é isso que faz toda a diferença em uma música. Você ouve a voz do cantor, o solo da guitarra, do piano, o toque da bateria mas o contrabaixo você "sente", ele toca na verdade a sua percepção, toca um sentido ainda oculto para alguns e pouco desenvolvido para muita gente.
Se a música fosse uma pessoa poderíamos dizer que a bateria e a percussão formam o corpo, os instrumentos agudos como guitarras, violões, violinos, teclados, etc, formam a estética, a roupa, a maquiagem e o belo penteado. O contrabaixo representa a alma da pessoa, o discreto perfume que ela exala e encanta quem se aproxima para conversar.
Se você não ouve o contrabaixo, não se preocupe, mas se você não sente na alma o que as notas graves deste instrumento transmitem, então repense um pouco sua rotina, ouça sua música favorita sem outros afazeres paralelos e em poucos instantes algo inacreditável acontecerá com você.